Um galpão logístico recém-construído no bairro de Mangabeira apresentava recalques diferenciais nos primeiros seis meses de operação. A investigação direta com SPT não apontava causas óbvias, mas a litologia do Grupo Barreiras em João Pessoa é traiçoeira: lentes de argila orgânica e paleocanais escondidos entre os sedimentos arenosos são comuns. Para mapear essas descontinuidades sem multiplicar furos, utilizamos a resistividade elétrica com arranjo Schlumberger. Em poucas horas de campo, o perfil 2D revelou uma zona de baixa resistividade a 8 metros de profundidade, exatamente onde a sondagem mecânica não havia amostrado. A geofísica preenche lacunas que a perfuração pontual jamais alcançaria sozinha. Em terrenos onde a dinâmica costeira do Rio Sanhauá e a oscilação do lençol freático complicam o modelo geotécnico, a SEV tornou-se rotina em nossos projetos na capital paraibana.
Em João Pessoa, a variação da resistividade elétrica distingue aquíferos costeiros de lentes argilosas a profundidades que o SPT não alcança com precisão.
Perguntas e respostas
Qual a profundidade máxima que uma SEV atinge em João Pessoa?
Com o arranjo Schlumberger e espaçamento AB/2 de 200 metros, investigamos até 100 metros de profundidade nos terrenos sedimentares de João Pessoa. Em áreas com lençol freático raso, como a várzea do Rio Jaguaribe, a profundidade efetiva pode chegar a 150 metros porque a saturação reduz a resistência de contato e melhora a injeção de corrente. O limite prático depende da potência do transmissor e do ruído elétrico urbano.
Quanto custa uma campanha de resistividade elétrica na região?
Um perfil de resistividade elétrica com SEV em João Pessoa parte de aproximadamente R$ 100.000, variando conforme a quantidade de eletrodos, o número de linhas de aquisição e a profundidade de investigação contratada. Campanhas maiores, com imageamento 2D em múltiplas seções cruzadas e processamento com inversão robusta, têm custo proporcional à área coberta e ao tempo de campo.
A SEV consegue detectar contaminação do solo por esgoto na zona urbana de João Pessoa?
Sim. Plumas de esgoto doméstico reduzem drasticamente a resistividade do solo, gerando anomalias abaixo de 10 Ohm.m que contrastam com os valores típicos de 40 a 200 Ohm.m dos sedimentos do Grupo Barreiras. Em bairros como Manaíra, já mapeamos a extensão de fossas sépticas vazando para o subsolo usando perfis 2D de resistividade, delimitando a área impactada antes de qualquer escavação.
Qual a diferença entre SEV e imageamento elétrico 2D?
A SEV tradicional investiga a variação vertical da resistividade em um único ponto, assumindo camadas horizontais. O imageamento elétrico 2D usa um arranjo linear de dezenas de eletrodos para gerar uma seção contínua do subsolo, revelando variações laterais e verticais simultaneamente. Em João Pessoa empregamos ambos: SEV para prospecção de aquíferos profundos nos tabuleiros e imageamento 2D para mapear contatos litológicos complexos sob futuras fundações.