O crescimento de João Pessoa, impulsionado pela expansão imobiliária ao longo da planície costeira e dos tabuleiros do Barreiras, trouxe à tona um desafio geotécnico recorrente: a heterogeneidade hidráulica desses solos. A cidade, situada sobre sedimentos da Formação Barreiras e depósitos flúvio-marinhos, apresenta variações significativas de permeabilidade que condicionam desde a estabilidade de encostas até a eficiência de sistemas de drenagem profunda. Para caracterizar esse parâmetro com precisão, realizamos o ensaio de permeabilidade in situ pelos métodos Lefranc e Lugeon. A medição direta da condutividade hidráulica em furos de sondagem é indispensável quando os modelos de laboratório não representam a macroestrutura do maciço. Em João Pessoa, a influência das marés nos aquíferos freáticos rasos torna o ensaio de permeabilidade ainda mais relevante, e os resultados orientam o dimensionamento de rebaixamento de lençol e contenções em zonas como o Altiplano e a orla urbana.
A condutividade hidráulica obtida pelo ensaio Lugeon em rocha fraturada define a necessidade de calda de cimento sob pressão, um critério que evita erosão interna em fundações de barragens.
Abordagem e escopo
Acompanhamos recentemente uma obra de contenção na falésia do Cabo Branco, onde a presença de lentes arenosas saturadas exigiu o reconhecimento da permeabilidade antes da cravação de estacas-prancha. O ensaio Lefranc, executado com carga constante em trechos selados do furo, revelou condutividades da ordem de 10⁻⁴ cm/s, um valor que demandou a revisão imediata do plano de drenagem. Em maciços rochosos fraturados, o ensaio Lugeon quantifica a absorção em Unidades Lugeon (UL), sendo que valores acima de 10 UL indicam necessidade de tratamento por injeções de consolidação.
Nossa metodologia em João Pessoa integra a permeabilidade in situ com a análise granulométrica e os limites de Atterberg, pois a fração fina das argilas orgânicas dos manguezais urbanos retarda o fluxo e mascara a condutividade real se avaliada apenas em amostras deformadas. Para projetos de fundações profundas nos bairros litorâneos, combinamos este ensaio com o
ensaio CPT e as sondagens SPT, gerando um perfil estratigráfico com a componente hidráulica que a NBR 6122:2019 exige para estacas submetidas a lençol elevado.
Contexto geotécnico local
O equipamento que costumamos empregar em João Pessoa consiste em obturadores pneumáticos duplos acoplados a um sistema de injeção com controle de pressão e vazão, alimentado por um reservatório calibrado de bordo. A execução do ensaio Lugeon em rochas brandas — como os arenitos mal cimentados que aparecem nos cortes do bairro de Mangabeira — exige atenção redobrada à pressão crítica de fraturamento. Nosso procedimento, baseado na NBR 17134 e nas recomendações da CBDB, prioriza a aplicação de patamares de pressão crescentes e decrescentes para identificar o regime de fluxo. O risco mais comum nos terrenos pessoenses é subdimensionar a permeabilidade em solos de alteração do Grupo Barreiras, o que leva a colapsos em escavações durante a estação chuvosa, entre abril e julho, quando a precipitação mensal ultrapassa facilmente os 200 mm.
Perguntas e respostas
Qual a diferença entre o ensaio Lefranc e o ensaio Lugeon no contexto de uma obra em João Pessoa?
O ensaio Lefranc é empregado em solos e rochas brandas, utilizando cargas hidráulicas baixas ou nível constante para medir a permeabilidade em meios porosos. Já o ensaio Lugeon é específico para maciços rochosos fraturados; injeta-se água sob pressão em trechos isolados por obturador pneumático, quantificando a absorção em Unidades Lugeon. Na prática pessoense, usamos Lefranc nos sedimentos arenosos da planície e Lugeon nos arenitos do Grupo Barreiras.
Em que etapa da investigação geotécnica o ensaio de permeabilidade deve ser executado?
O ideal é executá-lo após as sondagens de reconhecimento SPT ou rotativas, quando já se conhece a estratigrafia do terreno. Em João Pessoa, recomendamos realizar o ensaio logo na fase de projeto básico de fundações, especialmente se a obra estiver nos bairros de Mangabeira ou Altiplano, onde a alternância entre camadas permeáveis e impermeáveis é frequente e afeta o dimensionamento da drenagem.
O ensaio de permeabilidade in situ substitui a análise granulométrica de laboratório?
Não, são análises complementares. A granulometria fornece a curva de distribuição dos grãos e, a partir dela, calcula-se uma permeabilidade teórica. Contudo, a macroestrutura do solo — com fissuras, canais ou estratificação — altera o fluxo real. O ensaio in situ capta esse comportamento global, enquanto o laboratório detalha a matriz do solo. Integramos ambos os resultados nos relatórios conforme a NBR 17134.
Qual o custo médio de um ensaio de permeabilidade Lefranc ou Lugeon em João Pessoa?
O investimento gira em torno de R$ 100.000, valor que pode variar conforme a profundidade do furo, o número de trechos ensaiados e a complexidade logística do acesso ao terreno na região metropolitana de João Pessoa.